As promessas de Deus vão se cumprir na tua vida!

Certo! Mas que promessas são essas?

Por Arlan Dantas
Categoria: Reflexões

“Quando as pessoas falam ‘as promessas de Deus vão se cumprir na tua vida!’ do que elas estão falando!?”, essa foi a pergunta feita a mim por uma pessoa próxima que já tem um tempo a mais de convivência no meio evangélico (se comparado a mim) mas tem passado por algumas mudanças de ideias.

Essa pergunta é bastante simples e pode ser respondida de uma forma bem rápida por boa parte dos que estão inserido no meio evangélico atualmente… Mas… Até que ponto essa facilidade deve ser vista como positiva? Será que essa resposta tão simples dada é realmente condizente com a Palavra?

Muitas vezes quando essa afirmação sobre o cumprimento das promessas divinas é feita, está tomando como base promessas feitas na época bíblica e trazendo-as para os dias atuais. E é aqui que damos de frente com um problema: os contextos. Vamos tomar por exemplo as promessas feitas por Deus ao Seu povo na época do Antigo Testamento, promessas que, na maioria das vezes, tinham como foco a vitória do povo de Israel sobre povos inimigos e coisas dessa espécie. Sabemos que boa parte daquelas promessas tinham como base a ideia de que: “Me obedeçam e obterão vitória!”, “Me busquem e vocês vencerão!”, e vemos muitas pessoas transportando essas ideias “ao pé da letra” para o nosso contexto. No entanto, será que é realmente válido pegarmos aquelas promessas e aplicar diretamente a nós?

Quando Paulo está escrevendo aos colossenses sobre as Leis deixadas por Deus aos israelitas, usa uma linguagem que considero bem interessante: “Estas coisas são sombras do que haveria de vir; a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Cl 2:17), penso que essa mesma caracterização se aplica às promessas feitas naquela época: todas elas, de alguma forma, tinham como objetivo final apontar para Cristo.

Falando sobre Ele, as Suas falas também são usadas como base para essas afirmações sobre promessas e consequentes “vitórias”, e uma das mais comuns é a primeira que utilizaremos hoje para nossa reflexão, encontrada em Mateus 6:33:

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Mateus 6:33

A mensagem que geralmente é transmitida tendo essa referência é de que: “Quando damos algo a Deus, as outras coisas virão facilmente”. Mas se observarmos o texto de uma forma um pouco mais crítica, veremos que Jesus está, na verdade, falando de uma coisa um pouco diferente, Ele está falando da mudança de prioridade!

Esse versículo se encontra em um dos discursos mais conhecidos feito por Cristo e narrado na Bíblia: o chamado “Sermão da Montanha”, encontrado entre os capítulos 5 e 7 do evangelho segundo escreveu Mateus. Nesse famoso sermão, Cristo está expondo e explicando regras de conduta para os verdadeiros cristãos. E não é diferente nesse trecho final do capítulo 6, onde Ele está mostrando aos Seus seguidores de uma forma bastante “didática”, digamos assim, que a nossa ansiedade, a nossa preocupação e a nossa crença nas nossas próprias forças de nada adiantarão no fim das contas. É como Ele mesmo diz: “Qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar algum tempo à jornada da sua vida?” (Mateus 6:27), de quê adianta nos preocuparmos tanto com essa vida aqui se, na verdade, quem cuida da gente é Deus?

O versículo 33 se encontra próximo ao fim do capítulo e já está na conclusão dessa parte do sermão, depois de falar sobre o excelente cuidado Divino pela criação, pelos elementos mais simples dela, como pássaros e flores, Jesus nos orienta dizendo que a nossa real preocupação deve ser a nossa relação com Deus, devemos buscar o Reino de Deus e a Sua justiça, pois quando assim o fizermos perceberemos o quão pequenas e simples são as preocupações que enfrentamos no nosso dia-dia, veremos que as demais coisas chegam à nossa vida sem que precisemos nos preocupar, sem tanta ansiedade, sem fazermos uma “tempestade em copo d'água” como fazemos usualmente!

Percebeu a diferença!? Não é que ao darmos algo a Deus ou ao fazermos algo pra Ele seremos retribuídos, mas que quando colocamos o nosso foco no lugar certo, vemos como a vida é simples e o quão cuidadoso Ele é por nós.

Devo confessar que, inicialmente, pretendia apenas abordar esse texto de Mateus 6, mas durante o desenvolvimento desse texto lembrei-me de uma outra passagem que é ainda mais usada que essa fala de Cristo, essa se encontra em uma das cartas escrita por Paulo à igreja de Corinto e é usada, principalmente, quando se referindo à contribuição com dízimos e ofertas:

Lembrai-vos: “aquele que pouco semeia, igualmente, colherá pouco, mas aquele que semeia com generosidade, da mesma forma colherá com fartura”

2 Coríntios 9:6

Quando lembrei dessa passagem pensei: “realmente, aqui não tem como explicar a passagem de outra forma!”, mas o problema aqui é o mesmo que foi citado sobre as passagens no Antigo Testamento: contexto.

Além de Paulo aqui, realmente, estar falando de contribuição financeira e se referindo à Igreja, a mudança de contexto está na segunda parte. A contribuição com a Igreja que Paulo está falando se refere à colaboração entre comunidades cristãs, grupos de cristãos que estão em uma situação mais agradável e contribuem com os que estão passando por problemas financeiros.

Se continuarmos a leitura do capítulo até o fim, entenderemos que o que Paulo fala aqui não é que “quando damos muito dinheiro a Deus, teremos mais dinheiro para esbanjar” mas é algo mais próximo de: “quanto mais dinheiro damos a Deus, mais vamos ter para dar a Ele", vejamos os? versículos? 11 e 12:

Sereis enriquecidos em todas as áreas de vossas vidas, a fim de que possais ser generosos em qualquer ocasião e, por nosso intermédio, a vossa boa vontade resulte em ações de graças a Deus. Porquanto, ao ministrar essa assistência não apenas estais suprindo as necessidades dos santos, mas semelhantemente promovendo o transbordamento de variadas expressões de louvor e gratidão a Deus.

2 Coríntios 9:11-12

Paulo fala que ao contribuirmos seríamos sim “enriquecidos em todas as áreas de nossas vidas”, mas o foco que quero trazer aqui é na finalidade desse enriquecimento, que, segundo ele, é que sejamos generosos em todas as ocasiões e, por meio do trabalho de pregadores (Paulo usa o termo: “por intermédio de nós" se referindo a ele e os outros que exerciam o trabalho de pregação e evangelismo), a nossa generosidade com o trabalho da Igreja resulte em ações de graças de outros irmãos nossos. Ou seja, contribuiremos financeiramente para que o Evangelho chegue a outras pessoas.

Você percebe que o foco das coisas difere um pouco e que esse “pouco" nos ajuda a entender de uma forma melhor as coisas? Percebes que o centro da ideia não é que Deus vai nos dar bens materiais, não é que Ele vai nos dar do bom e do melhor, não é que ao nos render aos pés de Cristo iremos ser curados, abençoado, seremos prósperos... mas sim que nós devemos colocar como principal objetivo da nossa vida o Reino de Deus e a obediência a Ele, que ao fizermos isso, a nossa vida aqui na terra, que parecia ser algo tão importante e difícil, passa a ser algo bem menos “monstruoso” e que ao termos essa mudança de foco, iremos querer proporcionar essa mudança também a outras pessoas e faremos o possível para contribuir e fazer com que isso aconteça e que Deus nos ajudará a continuar com essa contribuição!?

Talvez tenha ficado parecendo que viajei demais nas ideias e acabei por não responder a questão inicial, mas penso que as explicações que dei são necessárias para que seja compreendido de forma mais completa às questões que levantei.

Quando as pessoas falam que “as promessas de Deus vão se cumprir na tua vida”, em uma grande maioria das vezes estão se referindo às promessas que foram feitas a personagens específicos na Bíblia, sejam esses personagens indivíduos ou o próprio povo de Israel e isso tem um certo nível de erro. Como já disse, boa parte das promessas feitas (se não todas) no Antigo Testamento têm como objetivo final direcionar os receptores de tal promessa a Cristo, o Filho de Deus que viria à terra e morreria para que os Seu povo fosse liberto da escravidão do pecado. Com essa visão sim, acredito que as promessas podem ser trazidas para os dias atuais. Mas é bem diferente quando pegam uma promessa que Deus havia feito para um indivíduo pontualmente e querem transferi-la literalmente para a igreja hoje em dia. Percebeu a diferença!?

Quanto às promessas feitas individualmente entre Deus e um irmão específico... bom, aí já vamos para outro assunto, que passa a ser algo pessoal e se refere ao relacionamento daquele indivíduo com Deus, não posso opinar sobre.

E, para finalizar, quero dizer que Deus tem sim promessas para nós, eu e você! Ele nos deu sim informações nas quais podemos nos agarrar plenamente e sem medo de nos decepcionar! Todas aquelas promessas que encontramos ao longo da narrativa bíblica se refere à grande promessa! Deus nos deu o meio para que pudéssemos ser livre dos nossos pecados e termos novamente acesso a Ele e um dia esse acesso será pleno, face-a-face e eterno! Essa sim é a promessa à qual devemos nos agarrar! A promessa de que os nossos pecados foram perdoados por meio da morte de Cristo na cruz e que, por causa disso, temos paz com Deus e um dia estaremos com Ele para sempre!

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

João 3:16

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