Tristeza pelo pecado

Você já teve algum momento de se arrepender extremamente pelo seu pecado? De ficar com vergonha de Deus por isso? Sabia que Jesus contou uma parábola falando sobre isso?

Por Arlan Dantas
Categoria: Devocionais

    Se você é cristão, certamente já passou por algum momento em que, após pecar, foi tomado por um sentimento de pesar imenso, por uma tristeza por pensar no pecado que cometeu e em quão grande foi o seu "vacilo" com seu Deus.

Primeiro tenho que avisar que isso não é uma exclusividade sua! É muito normal que isso venha a acontecer conosco (é bom que isso aconteça, inclusive). Quando reconhecemos Jesus como o nosso Cristo, Senhor e Salvador, Ele mesmo passa a habitar em nós, passamos a ser habitação do Espírito Santo e é isso que nos leva a essa tristeza. Deus, por meio do Seu Espírito em nós, nos convence do nosso pecado, de como aquilo foi prejudicial para a nossa relação com Ele. Sendo assim, essa tristeza, claramente, não é algo "negativo", pelo contrário! Ela nos mostra que Ele está habitando em nós!

O que devemos ter cautela é na forma como vamos lidar com essa tristeza, não podemos deixar que isso se torne um "trauma" e pensar que aquele pecado foi grande demais a ponto de não podermos mais se aproximar do nosso Deus... Jesus narrou uma história para os seus seguidores que hoje é muito conhecida no meio cristão, mas que muitas vezes a gente não se dá conta do quão significativa é aquela narrativa para as nossas vidas hoje: a parábola do filho pródigo, narrada em Lucas 15:11-32 (sugiro a leitura da passagem antes de continuar o texto, ainda que você conheça muito bem a história).

Esta parábola conta a história de um pai e seus dois filhos, dos quais um chegou ao pai e pediu a sua parte da herança. Esse trecho inicial, para muitas pessoas, aparenta não ter muito significado na grandiosidade da história, mas, na verdade, ele é uma das partes que deixa essa narrativa ainda mais impactante: se pensarmos um pouco, veremos que a herança é, na verdade, a divisão dos bens que alguém juntou ao longo de sua vida entre os seus herdeiros após a sua morte, ou seja, a pessoa passou a sua vida inteira reunindo bens, mas após a sua morte não poderá mais usufruir deles, por isso eles são divididos e entregues ao seus herdeiros. O impacto da história está em que o filho pediu a herança enquanto o pai ainda estava vivo! Ele queria que o pai entregasse a ele os bens que ainda estavam sendo reunidos e usados, não se importando de que forma isso afetaria na vida do seu genitor. Mas, ainda assim, o pai repartiu os seus bens entre seus filhos.

Pouco tempo depois da partilha dos bens, o filho mais novo juntou o que tinha e saiu de casa, ele viajou para "uma região distante" e ali gastou tudo o que tinha "dissolutamente" (v. 13), ou seja, esbanjando as riquezas que tinha. Após um tempo vivendo irresponsavelmente e em uma terra atingida por uma grande fome, este filho veio a passar necessidades, chegando a ponto de trabalhar cuidando de porcos (que até hoje são considerados animais "imundos" para a cultura na qual Jesus viveu e narrou essa parábola, os judeus) e desejar o alimento que era dado a esses animais (vv. 14-16).

Caindo em si, ele pensou: “Quantos trabalhadores do meu pai têm comida de sobra, e eu estou aqui morrendo de fome! Vou voltar para a casa do meu pai e dizer: ‘Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho. Me aceite como um dos seus trabalhadores.’”

Lucas 15:17-19

Você consegue perceber a vergonha que esse jovem está passando nesse momento? Ele bagunçou com a vida do seu pai, pegou a parte dos bens dele que lhe pertencia e gastou-os de uma forma irresponsável, agora ele percebe o quão precipitado foi isso que ele fez e decide voltar para a casa do seu pai. Talvez a gente hoje considere esse discurso que o filho planejou "muito dramático", mas na verdade não é! Ele, realmente tinha cometido um erro gigantesco diante do seu pai, a ponto de ficar feliz se for aceito como um simples trabalhador dele.

E é justamente aqui onde a gente se identifica com esses personagens: nós, enquanto filhos de Deus, recebemos grandes bênçãos dEle, somos libertos da servidão ao pecado, e ao invés de estarmos próximo do nosso Deus e buscarmos orientações com Ele de como administrar melhor tudo isso que Ele nos entregou, fazemos o contrário e vamos para longe dEle e gastamos tudo o que temos do jeito que "dá em nossa cabeça"! E o que eu narrei no início do texto, a tristeza que toma o nosso coração é, justamente, o que o filhos mais novo da parábola está passando nesse ponto da história: lembramos como o nosso Pai é bom, que até com quem não é filho dEle e está trabalhando para administrar os Seus bens recebem dEle um sustento muito melhor do que nós temos em meio ao pecado.

Mas a história não acaba com o filho pensando em voltar pra casa! E é isso que quero chamar a tua atenção. Após o arrependimento, o filho se decide em voltar para a casa do seu pai e Jesus fala que o pai, quando o filho ainda estava longe de chegar em casa, se levantou, CORREU, o beijou e abraçou! Eu não escrevi "correu" maiúsculo por acaso. Certamente, pela situação que Jesus narrou de como o filho estava vivendo, ele não deveria estar muito "arrumado" ou "cheiroso" enquanto voltava para casa, mas isso não foi impedimento para a demonstração de carinho do seu pai, mesmo vendo-o naquela situação, ele CORREU para abraçar e beijá-lo!

Lembra da fala que o filho estava "ensaiando" para falar com o pai? Lembra que ele queria dizer que "já não era digno de ser chamado filho, me deixa ser teu servo" e tudo mais? Pois bem, ele disse! Na verdade ele só falou uma parte do que havia ensaiado: “Pai, pequei contra Deus e contra o senhor e não mereço mais ser chamado de seu filho!” O que deve mais nos chamar atenção são duas coisas: (1) ele não terminou de falar tudo o que havia ensaiado e (2) o pai não deu atenção ao que ele falou.

Mas o pai ordenou aos empregados: “Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Ponham um anel no dedo dele e sandálias nos seus pés. Também tragam e matem o bezerro gordo. Vamos começar a festejar porque este é meu filho estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.” E começaram a festa.

Lucas 15:22-24

E exatamente desse jeito é Deus conosco: mesmo quando achamos que não somos mais dignos de ser chamado filhos dEle, se nos arrependemos e voltamos pra perto, Ele corre em nossa direção e faz uma festa pois nós somos filhos que estávamos distantes dEle, era como se estivéssemos mortos e voltamos a viver, voltamos a ter a vida dEle dentro de nós!

Essa parábola contada por Jesus nos explica muito sobre o problema que narrei no início do texto, mesmo quando a nossa falha é gigantesca diante do nosso Deus, estamos distantes dEle e nos damos conta disso, tudo o que devemos fazer é reconhecer isso e voltarmos para perto dEle, mostrando que sabemos o quanto erramos! Mas acima de tudo isso, devemos ter a certeza de que, ao nos ver arrependido, Ele vai correr para nos abraçar, beijar, fazer uma festa e chamar de Filho que, ainda que estivesse morto, viveu de novo!

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