Saindo de um País Distante: Uma Jornada de um Filho Gay até Deus

Eu tinha um segredo que mantive escondido durante o ensino médio, a faculdade e até mesmo quando ingressei nas Forças Armadas. Então, quando eu comecei a fazer a pós-graduação, eu não mantive mais em segredo...Eu saí do armário.

Texto de Christopher Yuan.
Traduzido por Kellvyn Mendes.
Categoria: Devocionais

Eu dei a notícia aos meus pais e disse-lhes: "Eu sou gay." A notícia devastou minha mãe, que não era cristã na época. Ela estava confusa e irritada, mas Deus usou isso para atraí-la para si. Através de um pequeno panfleto sobre homossexualidade que falava sobre o plano de salvação, ela veio a perceber que, se Deus pode amá-la apesar de seu pecado, então ela podia me amar, seu filho. Em alguns meses, meu pai também tornou-se um cristão.

Enquanto isso, eu passei a maior parte do meu tempo livre em boates gays e comecei a experimentar drogas. Normalmente, eu sustentava o meu vício através da venda de drogas. Eu pensei que eu poderia ser um estudante de dia e um traficante de drogas à noite, mas três meses antes de eu receber meu doutorado, a administração da faculdade me expulsou. Então me mudei para Atlanta, Georgia, e tornei-me um fornecedor para outros traficantes em mais de uma dúzia de estados. Além disso, era comum para mim ter vários encontros sexuais anônimos a cada dia. Meus pais não sabiam os detalhes da minha vida, mas sabiam que a minha maior necessidade era fazer de Jesus Cristo meu Senhor. Juntamente com mais de uma centena de guerreiros de oração, minha mãe começou a orar: "Deus, faça o que for preciso para trazer este filho pródigo para Ti." Em seu desespero, minha mãe jejuou toda segunda-feira por sete anos e uma vez jejuou 39 dias por mim.

 

Uma Oração Respondida

Deus respondeu a oração dela no dia em que eu abri minha porta para doze agentes federais de combate às drogas (DEA), a polícia de Atlanta e dois grandes cães pastor alemão. Eu tinha acabado de receber um grande carregamento de drogas com um peso equivalente a 9,1 toneladas de maconha. Com essa quantidade, eu iria pegar de 10 anos de prisão à prisão perpétua no presídio federal. Eu tinha começado com um futuro brilhante entre os melhores da sociedade acadêmica, e eu encontrava-me no fosso entre os mais desprezados da sociedade no Centro de Detenção de Atlanta City. Liguei para casa da prisão, e as primeiras palavras da minha mãe foram: "Filho, você está bem?" Nenhuma condenação, apenas amor e graça incondicionais. Romanos 2:4 diz: "a bondade de Deus nos leva ao arrependimento." Mesmo naquele dia terrível, Deus estava derramando sua graça irresistível e me puxando para si mesmo através das palavras de minha mãe. Na verdade, minha mãe estava animada ao receber aquela ligação, porque fazia anos que eu não ligava para casa, e ela sabia, sem dúvida alguma, que esta foi a resposta de Deus para suas orações.

Três dias depois, eu encontrei um Novo Testamento dos Gideões em cima de uma pilha de lixo, que é como eu sentia-me, e comecei a ler o Evangelho de Marcos. Comecei a ler a Bíblia, porque eu tinha uma enorme quantidade de tempo livre em minhas mãos. Mas a Bíblia não é apenas tinta sobre um papel. É o próprio sopro de Deus, mais penetrante que qualquer espada de dois gumes, e ela expôs meu pecado.

Algumas semanas depois, fui chamado ao escritório da enfermeira. Eles me algemaram, acorrentaram minhas mãos em volta da minha cintura e algemaram meu pés juntos. Eu vacilei sob minhas pernas e percebi que algo não estava certo. Ela estava desconfortavelmente lutando com as palavras para dizer algo e, finalmente, rabiscou em um pedaço de papel: HIV+. Os dias após este diagnóstico foram escuros e solitários. Eu estava condenado a seis anos de prisão, certamente muito melhor do que dez anos, mas a notícia de que eu tinha HIV pareceu-me uma sentença de morte.

Deitado na minha cama uma noite, notei entre os palavrões no beliche de metal acima de mim: "Se você está entediado, leia Jeremias 29:11."

 

"Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês", diz o Senhor, "planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro."

Jeremias 29:11

 

No momento de minha vida em que eu estava com menos esperança, Deus me disse que, independentemente de quem eu fosse e o que eu tivesse feito no passado, ele ainda tinha um plano para mim.


Uma Transformação Gradual

Minha transformação foi gradual. Deus estava me convencendo, mas eu não queria abandonar a minha identidade sexual. Eu passei por cada versículo e capítulo da Bíblia procurando pela bênção de um relacionamento gay monogâmico. Eu não consegui encontrar nada. Eu também entendi que amor incondicional não é a mesma coisa que aprovação incondicional do meu comportamento. Minha identidade não é gay, ex-gay, ou mesmo heterossexual, mas a minha única identidade como um filho do Deus vivo deve estar somente em Jesus Cristo. Uma decisão tinha de ser tomada: ou abandonar Deus e buscar um relacionamento gay; ou abandonar essa busca por um relacionamento gay — libertando-me dos meus desejos para com o mesmo sexo — e viver como um seguidor de Jesus Cristo. Minha decisão foi óbvia. Eu escolhi a Deus.

Eu costumava pensar que para agradar a esse Deus cristão, eu tinha de tornar-me heterossexual, mas mesmo aqueles com desejos heterossexuais ainda lutam com o pecado; esse não deve ser o nosso objetivo. Nosso objetivo, como cristãos, não importa quais desejos tenhamos, deve ser a santidade. Quando comecei a viver essa vida de entrega e obediência, Deus chamou-me para o ministério em tempo integral enquanto eu estava na prisão. Deus também fez outro milagre — ele diminuiu minha sentença de seis anos para três anos, o que é algo quase inédito nas penitenciárias federais.

Eu fui solto da prisão em julho de 2001, e eu comecei a estudar no Moody Bible Institute no mês seguinte. Eu me formei em 2005 e passei a estudar para conseguir meu Mestrado em exegese bíblica no Wheaton College Graduate School e recentemente recebi o meu Doutorado em Ministério pelo Bethel Seminary. Eu também tive a imensa honra de ser o co-autor de um livro com a minha mãe, cujo nome é: "Out of a Far Country: A Gay Son’s Journey to God. A Broken Mother's Search for Hope" [Saindo de um país distante: A Jornada de Um Filho Gay a Deus. A Procura de Uma Mãe Quebrantada por Esperança] e agora estou de volta ao Moody Bible Institute, ensinando no departamento da Bíblia. Eu passei de prisioneiro para professor, que tal esse currículo?

Os pais cristãos de filhos LGBT ou que se sentem atraídos pelo mesmo sexo, muitas vezes se sentem sozinhos e as vezes atormentados com a culpa. Mas, não é culpa deles. Ser pais perfeitos não garante ter filhos perfeitos. Não é responsabilidade dos pais produzir filhos devotos, mas sim ser pais devotos, amar os seus filhos, e direcioná-los para uma vida de custoso discipulado. Sem que meus pais vivessem o evangelho em seu relacionamento comigo, eu não estaria aqui. Igreja, vamos nos achegar aos nossos pais e aos nossos filhos — não importa contra qual pecado eles estejam lutando — e apontá-los para o vivificante evangelho de Jesus Cristo.   

 

Referências

Por: Christopher Yuan . © 2015 The Gospel Coalition. 

Este artigo foi destaque na edição inaugural da Light Magazine. Visite a loja ERLC para baixar Light de graça e descobrir mais recursos.

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