Cinco Razões para Abraçar a Eleição Incondicional

"Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei" (João 6:37)

Texto de John Piper.
Traduzido por Kellvyn Mendes.
Categoria: Teologia

Eu uso a palavra abraçar, porque a eleição incondicional não é apenas verdadeira, mas preciosa. Claro, não tem como ser preciosa e não ser verdadeira. Então esse é o maior motivo para nós a abraçarmos. Mas vamos começar com uma definição:

Eleição incondicional é a livre escolha de Deus antes da criação do mundo, não baseada na fé vista através da presciência divina, na qual ele concederá fé e arrependimento a traidores, os perdoando, e os adotando em sua família eterna de alegria.

 

1. Nós abraçamos a eleição incondicional porque ela é verdadeira.

Todas as minhas objeções à eleição incondicional desmoronaram quando eu já não podia mais explicar Romanos 9. O capítulo começa com a disposição de Paulo em ser amaldiçoado e separado de Cristo por seus parentes judeus incrédulos (versículo 3). Isto implica que alguns judeus estão perecendo. E isso levanta a questão da promessa de Deus para os judeus. Ela falhou? Paulo responde: "Não pensemos que a palavra de Deus falhou" (verso 6). Por que não?

Porque "nem todos os que descendem de Israel pertencem a Israel" (verso 6). Em outras palavras, o propósito de Deus não era absolver cada pessoa em Israel. Na verdade era um propósito segundo a eleição.

Assim, para ilustrar a questão da eleição incondicional de Deus, Paulo usa a analogia de Jacó e Esaú: "Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má — a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama — foi dito a ela [Rebeca]: 'O mais velho servirá ao mais novo'"(versos 11-12).

Em outras palavras, o propósito original de Deus na escolha de indivíduos para si mesmo fora de Israel — e todas as nações! (Apocalipse 5:9) — não foi baseada em quaisquer condições que eles pudessem cumprir. Foi uma eleição incondicional. E, assim, ele diz: "Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia, e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão" (versículo 15; cf. vv. 16-18; Romanos 11:5-7).

Jesus confirma esse ensinamento: "Todo o que o Pai me der virá a mim, e quem vier a mim eu jamais rejeitarei" (João 6:37). O ato de irmos para Cristo não é uma condição que nós cumprimos. É o resultado da eleição. O Pai escolheu suas ovelhas. Elas são dele. E ele as dá ao Filho. É por isso que eles vêm. "Ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai" (João 6:65). "Você não me escolheram, mas eu vos escolhi" (João 15:16; veja João 17:2, 6, 9, Gálatas 1:15).

No livro de Atos, por que alguns creem e outros não? A resposta de Lucas é a eleição: "todos os que haviam sido designados para a vida eterna." (Atos 13:48). Esta "designação" - esta eleição - não foi baseada na fé vista pela presciência divina; ela foi a causa da fé.

Em Efésios 1 Paulo diz: "[Deus] nos elegeu nele [Cristo] antes da fundação do mundo... Nele fomos também escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade"(Efésios 1:4,11). É o "conselho da vontade de Deus" que é eternamente decisivo neste caso.

O que você vai dizer a Deus no dia do julgamento se ele perguntar: "Por que você crê no meu Filho, enquanto outros não?" Você não vai dizer: "Porque eu era mais esperto." Não. Com certeza você vai dizer: "Por causa de sua graça. Se você não tivesse me escolhido, eu teria sido deixado morto espiritualmente, sem resposta, culpado".?

 

2. Nós abraçamos a eleição incondicional porque Deus a projetou para tirar o nosso temor na proclamação da sua graça em um mundo hostil.

"Se Deus é por nós, quem será contra nós? . . . Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? "

(Romanos 8:31,33)

 

3. Nós abraçamos a eleição incondicional porque Deus a criou para nos tornar humildes.

"Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar as sábias. . . de modo que nenhum ser humano pode se orgulhar na presença de Deus. . . . Aquele que se gloria, que glorie-se no Senhor "

(1 Coríntios 1:27, 29, 31)

 

4. Nós abraçamos a eleição incondicional porque Deus a fez como um poderoso ímpeto moral para a compaixão, bondade e perdão.

"Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade... perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros"

(Colossenses 3:12-13)

Não há aquele que tenha visto ou saboreado sua eleição e não tenha sido transformado em uma pessoa gentil, paciente e tolerante.?

 

5. Nós abraçamos a eleição incondicional porque é um poderoso incentivo em nosso evangelismo para ajudar os incrédulos, os quais são grandes pecadores.

Quando você oferece Cristo livremente para todos os incrédulos, suponha que alguém diz, "Eu pequei terrivelmente. Deus nunca poderia ter escolhido me salvar." A coisa mais eficaz que você pode dizer para acabar com essas questões é isto: Você percebe que Deus escolheu antes da fundação do mundo, a quem ele vai salvar? E ele não fez isso baseado em algo que você tenha. Antes de você nascer ou ter feito qualquer coisa boa ou ruim, Deus escolheu se salvaria você ou não.

Portanto, não ouse em ir diante de Deus e dizer pra ele quais as qualidades que faltam em você para que seja escolhido. Não há qualificação alguma necessária para ser salvo. "O que então eu devo fazer?" ele pergunta. "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo" (Atos 16:31). É assim que você começa a "confirmar a sua vocação e eleição" (2 Pedro 1:10). Se você abraçar o Salvador, você confirmará que é um eleito, e você será salvo.

Referências

 

Por John Piper. ©2015 Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Original: http://www.desiringgod.org/articles/five-reasons-to-embrace-unconditional-election

John Piper (@JohnPiper) é fundador e professor do desiringGod.org e chanceler do Bethlehem College & Seminary. Por 33 anos, ele serviu como pastor da Bethlehem Baptist Church, Minneapolis, Minnesota. Ele é autor de mais de 50 livros.

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