Como Ajudar os Amigos a Fugir do Evangelho da Prosperidade

Os Cristãos que estão em igrejas que pregam o evangelho da prosperidade, estão muitas vezes profundamente despreparados sobre como lidar com a vida sob a providência de Deus — e isso é uma tragédia.

Texto de John Piper.
Traduzido por Kellvyn Mendes.
Categoria: Devocionais

Áudio Transcrição

Pastor John, temos um e-mail de um ouvinte chamado Kai Tham: "Pastor John, como você, de uma forma prática e amorosa, guia seus entes queridos que estão mergulhados no evangelho da prosperidade, a voltar suas vidas novamente para o evangelho verdadeiro? Venho da Malásia e Cingapura, lugares imersos na teologia do evangelho da prosperidade. Eu entendo que em 2 Timóteo 4:3, Paulo diz que virá tais dias como estes, onde as pessoas vão reunir para si mestres que atendem às suas próprias paixões.

Mas e se essas pessoas são seus amigos próximos e familiares, a quem você tanto ama? Como você ensina, ama, repreende ou os reprova? Estou em um estágio pastoral em Melbourne. Um dia vou voltar para Cingapura, se Deus quiser, para pregar e pastorear lá. Eu sei, como Paulo aconselhou, que eu deveria pregar em todas as épocas, estando pronto para repreender, reprovar e exortar. Como isso funciona em uma cultura tão imersa no evangelho da prosperidade?"

Ainda ontem eu estava escrevendo um artigo sobre estes dias serem o melhor dos tempos e o pior dos tempos. E uma das evidências que mencionei para esse ser o pior dos tempos tem a ver com o chamado evangelho da prosperidade.

Eu escrevi: "Tenho visto o surgimento de enormes igrejas e ministérios que pregam e exportam para nações pobres um 'evangelho' da prosperidade que silencia o ensino bíblico sobre o sofrimento e reduz o glorioso evangelho à um aperfeiçoamento terreno, enraizado em atitudes humanas e não na glória do Calvário." Essa foi a minha frase que escrevi. E há três críticas. E eu quero apenas mencioná-las, para que possam mostrar o conselho que dei para Kai.

 

Problema do Evangelho da Prosperidade Número Um

Minimizar a vasta teologia bíblica de sofrimento esperada dos Cristãos; o sofrimento que é esperado dos Cristãos e prometido aos Cristãos, como 1 Pedro 4:19: "Por isso mesmo, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem confiar suas vidas ao seu fiel Criador e praticar o bem." Assim, o evangelho da prosperidade minimiza este vasto ensino difundido na Bíblia, que somos chamados para sofrer. E não é apenas o sofrimento proveniente da perseguição, mas o sofrimento que existe em nosso corpo, como em Romanos 8:23 e 2 Coríntios 4:16.

Assim, os Cristãos que estão em igrejas da prosperidade, estão muitas vezes profundamente despreparados sobre como lidar com a vida sob a providência de Deus — e isso é uma tragédia. E assim é certo para Kai sentir zelo pela sua família, para que ele possa descobrir uma maneira de ajudá-los a ver essas coisas.

E aqui está apenas um pequeno adendo: Minha esposa está indo para a África esse outono. E ela vai pela terceira vez como parte de um ministério, para dar cadeiras de rodas para pessoas portadoras de deficiência, que só podem rastejar ou permanecer em suas simples casas, e uma cadeira de rodas muda a vida de muitos. E ela me explicou, porque eu estava falando com ela sobre isso outro dia, que como eles estão à procura de parceiros para os ajudar, os grandes ministérios da prosperidade costumam dar pouca ajuda, porque as pessoas com deficiência em uma cadeira de rodas são um embaraço para o ministério deles. Eles não têm uma teologia bíblica de sofrimento e os frutos não são bonitos. Então essa é a minha primeira preocupação: a minimização de uma teologia bíblica de sofrimento que iria ajudar as pessoas a se prepararem para o que necessariamente deve vir nesta vida.

 

Problema do Evangelho da Prosperidade Número Dois

E a segunda coisa é: o evangelho da prosperidade reduz o glorioso evangelho à melhorias terrenas. O dom dominante do evangelho no Novo Testamento não é uma melhoria terrena. O dom dominante é a alegria da reconciliação com Deus e alegria eterna à direita de Deus para sempre, através de Jesus Cristo (Salmos 16:11). Se a vida nesta era vai melhorar aqui na terra é bastante secundário, à forma como o Novo Testamento olha as coisas.

Haverá um grande dia em uma nova terra onde tudo é feito glorioso, mas esse não é o retorno imediato do evangelho em detrimento de todo o resto do Novo Testamento. O maior problema no mundo é que Deus está zangado com suas criaturas por se rebelar contra ele e o bem central das boas novas é que, em Cristo, Deus tomou a iniciativa de satisfazer essa raiva e tornar-se nosso tesouro e não o nosso terror. Então a pregação da prosperidade distorce tudo, tornando resultados secundários do evangelho em resultados primários.

 

Problema do Evangelho da Prosperidade Número Três

E o terceiro problema que eu vejo é, que os mestres da teologia da prosperidade distorcem o fundamento de nossa salvação, colocando a ênfase sobre se nós podemos produzir o tipo de fé que nos fará ser curado e ficar rico, em vez de colocá-la na obra gloriosa de Cristo em morrer e ressuscitar para suportar a culpa de nossos pecados e aplacar a ira de Deus.

 

Amando Nossos Entes Queridos

Então o que gostaria de sugerir a Kai, enquanto ele considera falar com sua família sobre isso é:

Primeiro: Reconheça e comemore que eles estão certos em acreditar que Deus visa a saúde e a riqueza de seus filhos — eventualmente. Deus não enviou Jesus ao mundo para fazê-los eternamente miseráveis, mas eternamente felizes — e para remover toda lágrima de seus olhos (Apocalipse 21:4).

No entanto levante a questão com sua família sobre o tempo. Os pregadores da prosperidade entendem o tempo que estas coisas ocorrerão de forma errada. Todas essas promessas maravilhosas estão destinado pra agora, nesta era, na íntegra, ou a Bíblia ensina que Deus nos salva por etapas ou fases e que esta caminhada terrena entre conversão e glorificação é um dos muitos sofrimentos na esperança da glória? Assim, a minha sugestão para Kai é que, se ele puder conversar sobre isso com eles, enfatize no tempo, não se seremos eventualmente saudáveis, ricos e felizes em Deus.

Segundo: Converse com eles sobre o próprio Deus ser o nosso maior tesouro, e não os seus dons. Por exemplo, "A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre." (Salmo 73:25-26). E o texto que Noel e eu usamos em nosso casamento: "Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no SENHOR e me alegrarei no Deus da minha salvação. " (Habacuque 3:17-18). Esse versículo é tão estranho à mente dos pregadores da prosperidade por causa do que é tirado nesse versículo e como alegria abunda nesse versículo.

Terceiro: Levante com sua família a questão de como eles podem amar àqueles com deficiências permanentes. Eles ficam envergonhados por eles em sua comunidade? Ou é um sinal do amor de Cristo o fato deles se importarem com eles? E é um sinal de grande fé que essas pessoas, embora não curadas, estão se regozijando na esperança da glória de Deus ao invés de serem infelizes e terem raiva de Deus. Não é essa uma fé gloriosa?

Quarto: Pergunte à família o que eles pensam das promessas de sofrimento na Bíblia. Se eles disserem: "Bem, é tudo perseguição. Nós não estamos prometidos a sofrer de doença", então mostre a eles os textos que que estão inclusos os sofrimentos do corpo. Pergunte a eles sobre esses textos. Minha sensação é de que a necessidade de todo o sofrimento é minimizado na pregação da prosperidade, não apenas a necessidade do sofrimento da perseguição.

Quinto: Compartilhe histórias de grandes santos na história que Deus usou poderosamente aos quais sofreram enormemente.

Sexto: Como um meio para esses tipos de conversas, peça a seus pais ou irmãos e irmãs — a quem você está tendo que lidar — permissão para falar sobre essas coisas, e estipule um momento em que eles estarão esperando a conversa, em vez de ser apressado ou eles serem surpreendidos pelo assunto e acabarem ficando na defensiva. Eu acho que um monte de vezes tentamos semear as sementes de nossas ideias sobre o impulso do momento e nunca é exatamente o momento certo. Então, só precisamos pedir-lhes permissão para configurar a hora certa.

Sétimo: A última coisa que gostaria de dizer ao Kai é que ore para que Deus os dê olhos para ver que há grande alegria no sofrimento agora e haverá grande alegria em prosperidade na vinda de Cristo.

"Alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria."

1 Pedro 4:13

 

Encontre outros recentes e populares episódios de Pergunte ao Pastor John.

 

Referências

Por John Piper. ©2015 Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org 

Original: http://www.desiringgod.org/interviews/how-to-help-friends-escape-the-prosperity-gospel

John Piper (@JohnPiper) é fundador e professor do desiringGod.org e chanceler do Bethlehem College & Seminary. Por 33 anos, ele serviu como pastor da Bethlehem Baptist Church, Minneapolis, Minnesota. Ele é autor de mais de 50 livros.

Fale conosco. Hospedado pela Brasil Hospeda.