Uma dúvida muito comum quando falamos da Bíblia, é “como podemos ter certeza que não tem nenhum erro?”. Realmente, é muito difícil acreditar que um livro tão antigo quanto a Bíblia, com seus mais de 40 autores, seja completamente sem erros. Mas é um fato. Não há erros. E nós vamos ver isso hoje com essas três palavras do título: inspirada, inerrante e canônica!
O que significa quando nós dizemos que a Bíblia é “inspirada por Deus”? Vamos usar a definição do teólogo Charles C. Ryrie para falar sobre isso:
“Inspiração é... a supervisão de Deus sobre os autores humanos assim que, usando suas próprias personalidades individuais, eles compuseram e registraram sem erro a revelação de Deus para o homem nas palavras dos autógrafos originais”
Logo, existem três elementos importantes quando falamos da inspiração bíblica: (1) O Autor Divino - o próprio Deus que inspirou seus autores; (2) O autor humano – que inspirado por Deus escreveu, com suas palavras, a mensagem; (3) A própria Escritura - totalmente inspirada, totalmente verdadeira.
O versículo mais conhecido que fala sobre a inspiração das Escrituras é 2Timóteo 3.16: “Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para instrução na justiça”. Vamos falar um pouco do significado da palavra ‘inspirada’ no texto de Paulo. Essa palavra no grego é a Theopneustos, que literalmente significa “soprada por Deus”. Isso quer dizer que é correto falarmos que as Palavras vêm de dentro de Deus para fora.
Destrinchando a definição de Ryrie que vimos agora a pouco, vamos falar da inspiração como sendo o processo que Deus “supervisionou” a escrita para que ela fosse como Ele planejou, inclusive nas palavras, preposições e adjetivos usados (por isso que é tão importante estudar cada uma das palavras), ainda permitindo que os autores humanos escolhidos expressassem sua personalidade individual nos textos (o que explica vermos pontos de vistas diferentes da mesma história nos quatro evangelhos e como podemos ver um estilo de escrita tão diferente entre Paulo e Pedro, por exemplo). O fato de esses homens usarem suas personalidades, não altera o fato de que Deus supervisionou “soprando a Palavra” e assim garantindo que não houvesse erros e nem incoerências.
Para definição de inerrância, vamos usar as palavras de E. J. Young:
Por esta palavra nós queremos dizer que as Escrituras possuem a qualidade de ausência de erro. Elas são isentas de mentiras e enganos, incapaz de erro. Em todos os seus ensinos elas estão em perfeito acordo com a verdade
Para podermos dizer que as Escrituras são completamente à prova de erros é quase uma conta matemática. Se concordamos que Deus inspirou suas Escrituras, inclusive nas palavras, e que Deus não pode mentir (Nm 23.19), logo a soma disso dá o resultado de uma obra que não tem erros.
O fato de dizer que não há erros é o mesmo que dizer que não há variedade de estilo? Ou variedade em como se explica um mesmo evento? Ou até não ser exatamente fiel aos padrões da norma culta da gramática? Lógico que não!
Quer dizer que as Escrituras são incapazes de erro porque todas elas estão em perfeito acordo com A Verdade que é Cristo, porque elas não se contradizem - mesmo em 2000 anos de história -, e porque, acima de tudo, ela foi soprada da boca do próprio Deus.
Quando nós falamos de cânon, nós estamos falando dos livros que entraram na Bíblia. Quer dizer, aqueles livros que foram considerados inspirados por Deus. A palavra cânon vem do grego kanon, e da palavra hebraica qaneh que significa “vara de medir”.
A definição de Paul Enns para canônico é: “... padrões pelos quais os livros foram medidos a fim de determinar se eles eram inspirados ou não”3. Essas decisões foram feitas nos concílios religiosos ao longo da história da Igreja, mas, que fique claro, esses concílios não puderam tornar os livros inspirados, eles apenas reconheceram aqueles que Deus inspirou no momento da escrita com o autor original.
Mas, então quais são esses padrões que definem os livros como canônicos? Lembrando que os judeus ortodoxos reconhecem apenas os trinta e nove livros do Antigo Testamento como canônicos, e só os Protestantes reconhecem o Novo Testamento. A Igreja Católica Apostólica Romana possui 80 livros no seu cânon por reconhecerem os Apócrifos como inspirados. Os padrões que veremos agora se encaixam no cânon Protestante.4
1. Apostolicidade: isso quer dizer que os livros devem ter sido escritos por um apóstolo ou por alguém que teve conexão com um apóstolo. Como por exemplo, Marcos escreveu sob a autoridade do Apóstolo Pedro, e Lucas escreveu sob a autoridade do Apóstolo Paulo. O que tornava alguém Apóstolo, basicamente, era a pessoa que teve contato direto com Jesus, que O conheceu.
2. Aceitação: O livro deveria ser aceito por parte da Igreja.
3. Conteúdo: O livro deveria ser consistente com a Doutrina Bíblica e logicamente não poderia entrar em conflito com outros trechos das Escrituras.
4. Inspiração: O livro deveria refletir características de inspiração, principalmente morais e espirituais.
Nós precisamos ter como certeza a Bíblia como inspirada, inerrante e canônica porque isso tem um efeito direto na nossa fé e no Deus que nós cremos. Ter a certeza de que suas Escrituras não mentem, não falham e foram divina e perfeitamente escritas para nos orientar é o que nos ajuda a caminhar em uma vida de santidade e de acordo com a vontade de Deus.
Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti
Salmos 119.11
1 Charles C. Ryrie. A Survey of Bible Doctrine, (Chicago: Moody, 1972), p. 38.
2 E. J. Young, Thy Word Is Truth, 113.
3 ENNS, Paul. Manual de Teologia Moody. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2008. p. 189.
4 Esses padrões foram retirados do Manual de Teologia Moody, p. 192.
ENNS, Paul. Manual de Teologia Moody. São Paulo: Editora Batista Regular do Brasil, 2008.
RYRIE, Charles C. A Survey of Bible Doctrine. Chicago: Moody, 1972.
YOUNG, Edward J. Thy Word Is Truth. Grand Rapids: Eerdmans, 1957.