Quando temos um primeiro contato com a Bíblia sem conhecê-la muito bem, temos a impressão de que se trata de um livro com um aglomerado de histórias. E pelo que as pessoas falam, a história mais importante parece ser a de Jesus. Mas então faz menos sentido que a primeira metade da Bíblia seja a história de um povo que não tem nada a ver comigo. E com Jesus? O que os judeus têm a ver? Por que temos todas essas histórias na Bíblia? Bem, porque a Bíblia não é um livro com um aglomerado de histórias, mas sim vários livros que contam APENAS UMA HISTÓRIA!
Pode parecer difícil de ver agora, mas todas as histórias apontam para Jesus. Desde Gênesis 1 até Apocalipse 22, tudo está falando sobre Jesus. O que nós esperamos é que com o passar do tempo e dos nossos textos você também possa ver e entender isso.
Nós vamos falar sobre histórias que escutamos a nossa infância todinha em todas as salinhas com as tias, ou que pelo menos já ouvimos falar em algum momento da nossa vida. Mas agora, esses personagens tão poderosos como Davi, Sansão, Moisés, deixam de ser super-heróis para se tornarem reais, humanos e tão pecadores quanto nós. Eles estão aqui para nos apontar para a perfeição de Cristo.
Nós vamos falar de todas as histórias, de todos esses homens e mulheres, incluindo suas falhas e pecados e o que a gente pode aprender com eles. Davi, por exemplo, talvez tenha sido um dos homens que mais errou na Bíblia toda, mas, ele ainda era o rei segundo o coração de Deus. A gente só não aprende esses lados quando somos crianças.
O nosso objetivo é que no final desse projeto você possa olhar a Bíblia como um todo, entendendo não tudo de teologia, mas entendendo como cada uma das peças se junta e conta a história da redenção.
Para dividirmos a Bíblia temos a primeira divisão mais óbvia: Antigo e Novo Testamento. Podemos resumir, dizendo que o Antigo Testamento conta a história da criação do universo e do povo de Israel, enquanto o Novo Testamento conta a história da primeira vinda de Jesus, o surgimento e o desenvolver da Igreja Primitiva e profetiza o final dos tempos no livro de Apocalipse. Mas, fora essa divisão mais conhecida, quais outras maneiras que podemos dividir a Bíblia?
Nós podemos dividir a Bíblia de acordo com seus gêneros literários! Como já falamos antes, a Bíblia é o conjunto de 66 livros. E cada livro está dentro de um gênero literário. Temos livros históricos, de sabedoria, poéticos, epístolas, proféticos e por aí vai. Quando estudamos cada um desses livros, precisamos respeitar também os gêneros que eles pertencem.
Então, vamos dividir o Antigo e Novo Testamento.
Nesses cinco primeiros livros temos uma mistura de gêneros literários. Apesar de serem em sua maioria históricos, eles não se encaixam na mesma categoria que outros livros históricos por conterem também toda a Lei de Moisés (em breve falaremos mais sobre isso). Além disso, os cinco primeiros livros da Bíblia foram escritos pela mesma pessoa – Moisés. Então, por conterem toda a Lei de Israel, contarem todo o início do povo de Israel e terem sido escritos pela mesma pessoa, eles são agrupados juntos.
Como o nome diz, esses são os livros históricos. No Antigo Testamento, isso basicamente quer dizer que eles contam histórias de algum período da história de Israel. No próximo tipo de divisão que veremos (divisão por período), vamos entender onde cada livro se encaixa na história.
Os livros poéticos são assim chamados, mas além de incluírem poesias, possuem também livros sapienciais (livros de sabedoria) como Provérbios e Eclesiastes, que mesmo não sendo escritos na forma de poesia, são livros de sabedoria. Jó e Cantares de Salomão são livros que foram escritos na forma poética, falaremos mais sobre eles mais pra frente. Salmos, o maior livro da Bíblia, é também conhecido como “hinário de Israel”, porque a grande maioria dos Salmos ali, não eram lidos, mas cantados pelo povo de Israel.
Os profetas maiores são assim conhecidos, não por serem mais importantes, mas apenas por realmente terem escrito mais.
Os livros proféticos também são históricos, porque cada profeta escreveu em um período histórico de Israel, para um rei específico, por um motivo diferente. Inclusive como veremos, às vezes acontecia de ter mais de um profeta ao mesmo tempo, falando profecias diferentes para reis diferentes. Por isso, é tão importante entender onde cada profeta se encaixa dentro dos períodos que veremos mais para frente.
Os Evangelhos, em resumo, são livros históricos, mas com o foco na vida de Jesus durante sua primeira vinda. Cada autor conta praticamente as mesmas histórias, mas com pontos de vista diferentes e com objetivos e públicos-alvo diferente. Em breve estudaremos cada uma dessas diferenças, e porque é tão necessário ter os quatro Evangelhos para ter uma imagem completa do ministério terrenos de Jesus.
Atos é o único livro propriamente histórico do Novo Testamento, escrito por Lucas, ele tem o objetivo de contar a história da Igreja Primitiva e seu desenvolver. Por mais que as epístolas escritas por Paulo e Pedro, por exemplo, possam ser encaixadas dentro do período histórico de Atos, elas não possuem o mesmo objetivo deste livro, que é ser um registro do trabalho dos Apóstolos depois da descida do Espírito Santo.
Paulo foi quem mais escreveu livros do Novo Testamento, foram 13 epístolas no total. "Epístola" é o mesmo que carta. Os escritos de Paulo foram cartas para igrejas ou pessoas durante o período da Igreja Primitiva. Por mais que por meio delas possamos entender muito do contexto histórico vivido na época, esses não são livros históricos, pois a intenção de Paulo não era registrar um fato, mas sempre de aconselhar, advertir, exortar, incentivar e etc as igrejas e pessoas que ele tinha sob o cuidado dele. E hoje, esses mesmos conselhos continuam sendo válidos para nós, Igreja Moderna.
Como diz o nome, "epístolas gerais" são aquelas escritas além das paulinas, por diversos autores; algumas delas, inclusive, nós não sabemos o autor até hoje, como a epístola aos Hebreus. Possuem a mesma intenção das epístolas paulinas: ensinar e advertir às pessoas e igrejas a quem foram enviadas.
Apocalipse é um livro que se desenquadra de qualquer tipo de gênero bíblico, por ser a literatura apocalíptica extremamente específica no seu estudo e análise. Nós temos outros livros no Antigo Testamento que possuem trechos de literatura apocalíptica como Daniel e Ezequiel, e que são necessários no estudo e entendimento de Apocalipse. Mas, ainda assim, esses dois livros são mais históricos do que Apocalípticos.
Essa é apenas uma das maneiras como podemos dividir a Bíblia, e também uma das mais conhecidas. Mas outro exemplo de divisão é como faremos em textos futuros, quando dividiremos o estudo dos livros do Antigo Testamento pelo período histórico. A forma como dividimos não é o importante, as divisões são apenas técnicas para facilitar o estudo e a visuzalização da Bíblia. O que realmente importa é entender sobre quem ela esta falando todo o tempo: sobre Cristo. É tudo sobre Ele. Sempre foi.
Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste.
Colossenses 1.17